quarta-feira, 1 de junho de 2011

Nem Todos São Iguais Palocci! 6



JANIO DE FREITAS

Das duas, uma: ou o ministro não faturou esses R$ 20 mi ou o seu patrimônio não aumentou 20 vezes


SE ACEITA A explicação de Lula para o caso Palocci, trata-se de um acerto de contas da imprensa com o ministro, mas pior do que o erro habitual de Lula é o desacerto de contas da imprensa.
A notícia de que o então deputado Antonio Palocci comprara, quando no exercício do mandato, um escritório por R$ 882 mil e um apartamento por R$ 6,6 milhões, foi acompanhada da informação de que assim aumentara o seu patrimônio em 20 vezes.

Fizera-o não muito tempo depois de declarar à Justiça Eleitoral, para o registro da candidatura à Câmara, o valor estimado do seu patrimônio: R$ 295 mil em 5 de julho de 2006, ou R$ 356 mil, ou R$ 375 mil, números usados nos mesmos jornais -inclusive este- a depender da notícia e do dia. Como informação complementar, e essencial, ao investimento imobiliário, a de que o mandato inteiro somava vencimentos de R$ 974 mil, não considerados os descontos em folha.
Com base no preço atribuído aos imóveis e em um dos valores do patrimônio quando ainda candidato, a notícia arredondou para 20 vezes o aumento dos bens. Mas logo viria a notícia de que o deputado faturou, por intermédio de sua empresa Projeto, R$ 20 milhões.
Das duas, uma: ou Palocci não faturou esses R$ 20 milhões ou seu patrimônio não aumentou 20 vezes. Tal faturamento e tal aumento, estão, porém, ligados em todo o noticiário e comentários de todos os jornais, TVs, revistas e rádios. Citam-se as 20 vezes e os R$ 20 milhões.
Acontece que, se tomado o valor mais alto entre os três citados como declaração de Palocci à Justiça Eleitoral, com os R$ 20 milhões o patrimônio cresceu 53 vezes em quatro anos e meio, e não 20 vezes. Se tomado o valor médio dos três citados como patrimônio inicial, o aumento foi de 56 vezes.
Está explicado, nessa depreciação ao feito do então deputado e hoje ministro da Casa Civil da Presidência da República, o aborrecimento de Lula e de seu protegido com a imprensa & cia. E também o seu, se leitor confiante. É melhor, no entanto, não procurar os motivos da incongruência numérica repetida há tantos dias.

OS SOLIDÁRIOS
Europeus e americanos, sob o emblema da Otan, foram autorizados pela ONU a atacar a Líbia de Gaddafi para defender a população civil da violência ditatorial. Há indicações frequentes de população civil e mesmo de rebeldes líderes atingidos por ataques da Otan.
No Afeganistão, as forças americanas e europeias, sob a bandeira da Otan, são comprovadamente responsáveis por frequentes bombardeios a populações civis. No mais recente, domingo, foram mortas 14 pessoas. Duas mulheres e 12 crianças.
A Otan é protetora das populações civis contra regimes e movimentos homicidas. E para proteger da Otan as populações civis?

SEM VERGONHA
No encontro agendado entre Dilma Rousseff e representantes do PMDB, estará presente, menos ou mais explícita, a afirmação da presidente de que "é uma vergonha" a emenda (peemedebista) que beneficiou com anistia os grandes proprietários de terras/desmatadores.
O PMDB e a exaltação de Aldo Rebelo, dirigente do PC do B e aliado dos beneficiados, não estão de todo errados, ao menos quanto à forma da expressão velha e, no Brasil, de uso inesgotável.
A expressão "é uma vergonha" está sempre ao contrário. O que pretende dizer é que "não tem vergonha", é "sem vergonha". O que cabe indagar é se pode aplicar-se à coisa a que se dirige ou se a coisa serve de biombo para os autores da coisa.
Fonte:sergyovitro.blogspot.com - Conteúdo Livre

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