
Comparato diz que Rede Globo ameaçou romper com Unesco.
Fontes:http://www.conversaafiada.com.br/pig/2011/06/18/comparato-globo-ameacou-romper-contrato-com-unesco/
www.cartacapital.com.br/.../konder-comparato-relatorio-sobre-radiofusao-no-brasil-quase-fez-globo-romper-contrato-com-a-unesco
democraciapolitica.blogspot.com/.../globo-ameacou-romper-contrato-crianca.html
forum.antinovaordemmundial.com/Topico-comparato-globo-ameaçou-romper-contrato-com-unesco
sábado, 25 de junho de 2011
CRIANÇA ESPERANÇA
Não se manifeste politicamente, você pode perder o emprego.
Livro Mentes Disciplinadas - Jeff Schmidt
Por John Pilger
Um dos livros mais originais e provocantes da última década é Mentes disciplinadas (Disciplined Minds) de Jeff Schmidt [NR 1] (Rowman & Littlefield). "Um olhar críticos aos profissionais assalariados", diz a capa, "e o sistema de massacre de almas que molda as suas vidas". O seu tema é a América pós-moderna mas também se aplica à Grã-Bretanha, onde o estado corporativo engendrou uma nova classe de administradores americanizados para dirigir os sectores privado e público: os bancos, os principais partidos, corporações, comités importantes, a BBC.
Dizem que os profissionais são meritórios e não ideológicos. Mas, apesar da sua educação, escreve Schmidt, eles pensam menos independentemente do que não profissionais. Eles utilizam jargões corporativos como "modelo", "desempenho", "alvos", "visão estratégica". Em Mentes disciplinadas, Schmidt argumenta que o que faz profissional moderno não é conhecimento técnico mas "disciplina ideológica". Aqueles na educação superior e nos media fazem "trabalho político" mas de um modo que não é visto como político. Ouçam um indivíduo sénior da BBC descrever o nirvana da neutralidade ao qual ele ou ela se elevaram. "Tomar partido" é anátema; e o profissional moderno sabe nunca desafiar a "ideologia incorporada do status quo". O que importa é a "atitude certa". [NR 2]
Uma chave para o treino de profissionais é o que Schmidt chama "curiosidade assinalável". As crianças são naturalmente curiosas, mas ao longo do caminho para tornar-se um profissional eles aprendem que a curiosidade é uma série de tarefas assinalada por outros. Ao entrar no treino, os estudantes são optimistas e idealistas. Ao deixá-lo, estão "pressionados e perturbados" porque percebem que "o objectivo primário para muitos é serem suficientemente compensados por abandonarem seus objectivos originais". Tenho encontrado muitos jovens, especialmente jornalistas novatos, que se reconheceriam a si próprios nesta descrição. Pois não importa quão indirecto é o seu efeito, a influência primária dos administradores profissionais é culto político extremo da devoção ao dinheiro e à desigualdade conhecido como neoliberalismo.
O supremo administrador profissional é Bob Diamond, o presidente do Barclays Bank em Londres, que em Março obteve um bónus de £6,5 milhões. Mas de 200 administradores do Barclays levaram para casa £554 milhões no ano passado. Em Janeiro, Diamond disse no comité do Tesouro do parlamento britânico que "o temo do remorso está ultrapassado". Ele referia-se ao £1 milhão de milhões (trillion) de dinheiro público entregue sem condições a bancos corrompidos por um governo trabalhista cujo líder, Gordon Brown, descreveu tais "financeiros" como a sua "inspiração" pessoal.
Isto foi o acto final do golpe de estado corporativo, agora disfarçado por um debate especioso acerca de "cortes" e de um "défice nacional". A maior parte das premissas humanas da vida britânica estão a ser eliminadas. O "valor" dos cortes diz-se ser de £83 mil milhões, quase exactamente o montante da tributação evitada legalmente pelos bancos e corporações. Que o público britânico continua a dar aos bancos um subsídio adicional anual de £100 mil milhões em seguro gratuito e garantias – um número que financiaria todo o Serviço Nacional de Saúde – é abafado.
Assim, também, é o absurdo da própria noção de "cortes". Quando a Grã-Bretanha estava oficialmente em bancarrota a seguir à Segunda Guerra Mundial, havia pleno emprego e algumas das suas maiores instituições públicas, tais como o Serviço de Saúde, foram montadas. Mas os "cortes" são administrados por aqueles que dizem opor-se a eles e fabricam consentimento para a sua aceitação ampla. Este é o papel dos administradores profissionais do Partido Trabalhista.
Em questões de guerra e paz, as mentes disciplinadas de Schmidt promovem violência, morte e caos numa escala ainda não reconhecida na Grã-Bretanha. Apesar da evidência incriminatória no inquérito Chilcot do antigo chefe de inteligência, general de divisão Michael Laurie, o administrador do "negócios principal", Alastair Campbell, permanece solto, assim como todos os outros administradores da guerra trabalharam com Blair e no Foreign Office para justificar e vender o banho de sangue no Iraque.
Os media de referência muitas vezes desempenham um papel subtilmente crítico. Frederick Ogilvie, o qual sucedeu ao fundador da BBC, Lord Reith, como director geral, escreveu que o seu objectivo era transformar a BBC num "instrumento de guerra plenamente efectivo". Ogilvie teria ficado deliciado com os seus administradores do século XXI. Na corrida para a invasão do Iraque, a cobertura da BBC reflectia esmagadoramente a posição mentirosa do governo, como mostra estudos da Universidade de Gales e da Media Tenor.
Contudo, o grande levantamento árabe não pode ser facilmente administrado, ou apropriado, com omissões e advertências, como deixa claro um diálogo no programa Today, da BBC, de 16 de Maio. Com o seu celebrado profissionalismo, concentrado em discursos corporativos, John Humphrys entrevistou um porta-voz palestino, Husam Zomlot, a seguir ao massacre de Israel de manifestantes desarmados no 63º aniversário da expulsão ilegal do povo palestino dos seus lares.
Humphrys: ... não é surpreendente que Israel tenha reagido do modo o fez?
Zomlot: ... estou muito orgulhoso e satisfeito [eles estavam] a manifestar-se pacificamente só para... realmente chamar atenção para os seus 63 anos de infortúnio.
Humphrys: Mas eles não se manifestaram pacificamente, esse é o meu ponto...
Zomlot: Nenhum deles... estava armado... Opuseram-se a tanques, helicópteros e F-16s israelenses. Você não pode sequer começar a comparar a violência... Isto não é uma questão de segurança... [os israelenses] sempre falham em tratar com um assuntos puramente político, humanitário e legal...
Humphrys: Desculpe interrompê-lo mas... se eu marcho dentro da sua casa agitando um cassetete e lançando-lhe um pedra então isso seria uma questão de segurança, não seria?
Zomlot: Desculpe-me. Segundo resoluções do Conselho de Segurança das Nações Unidas, aquelas pessoas estavam a marchar para as suas casas; elas têm os direitos sobre os seus lares; é sua propriedade privada. Vamos então por as coisas em pratos limpos de uma vez por todas...
Foi um momento raro. Por as coisas em pratos limpos não é um "objectivo" administrativo.
23/Junho/2011
[NR 1] Jeff Schmidt foi editor da revista Physics Today durante 19 anos, até que foi despedido por ter escrito Disciplined Minds . Para encomendá-lo clique em Rowman & Littlefield Publishers Inc.
[NR 2) Desde a publicação deste livro as coisas agravaram-se. Agora os media que se proclamam como "referência" proíbem os profissionais que neles trabalham de exprimirem opiniões independentes fora dos mesmos (blogs, sítios web ou quaisquer outros meios de informação). Tais proibições estão mesmo fixadas nas suas respectivas normas internas. Anula-se assim a separação entre o trabalho feito para um patrão e a vida pessoal do assalariado. Este, na sua vida privada, está politicamente castrado: fica impedido de manifestar-se em público a fim de conservar o emprego.
O original encontra-se em http://www.johnpilger.com/articles/brainwashing-the-polite-and-professional-way
Este artigo encontra-se em http://resistir.info/.
Frei Betto e Marcelo Gleiser

Á esquerda frei Betto e à direita Marcelo Gleiser
De um lado, um frade católico engajado politicamente e, do outro, um cientista judeu agnóstico - o que poderia ser um encontro marcado por troca de farpas resultou, ao contrário, em um estimulante debate dos aspectos essenciais da vida: a materialidade e a fé.
Frei Betto e Marcelo Gleiser aceitaram o convite da editora Agir para a conversa que resultou no livro "Conversa sobre a Fé e a Ciência".
Monopólio do ETANOL

Múltis voltam a fazer o etanol sumir para forçar alta do preço
Com a Shell, BP, Dreyfus e Bunge monopolizando o setor, o governo não pode dormir de touca.
Apenas cinco empresas, quatro delas estrangeiras, dominam 50% da produção, que, desde 2008, sofreu o mais selvagem processo de monopolização e desnacionalização. E, além dessas, a British Petroleum, a Glencore e outras pululam no setor. No ano passado, 15% do valor dos empréstimos do BNDES foram para as empresas produtoras de etanol. No entanto, a oferta ao consumidor diminuiu.
Fonte: Jornal A Hora do Povo
TERRORISMO DE ESTADO

Israel assassina 21 manifestantes palestinos e fere outros duzentos
O exército israelense atirou em manifestações pelo estabelecimento do Estado Palestino e o direito dos refugiados de retorno a suas casas e aldeias
Tropas israelenses abriram fogo sobre manifestantes palestinos que exigiam o reconhecimento do Estado Palestino e o direito de retorno aos refugiados. A repressão se deu a atos ocorridos nas fronteiras da Síria e Líbano, além da Cisjordânia e na Faixa de Gaza.
No dia 15 de maio, nos atos que relembram o terror sobre os palestinos desde o dia em foi implantado o Estado de Israel, em 1948, 21 palestinos morreram e mais de duzentos ficaram feridos.
As manifestações nas fronteiras reuniram milhares de palestinos dos campos de refugiados que se formaram quando estes foram expulsos de suas casas e aldeias em 1948.
Em Gaza os manifestantes foram recebidos com uma chuva de balas quando se aproximaram da passagem de Eretz, na fronteira com Israel. Um dos manifestantes, um jovem de 17 anos e mais outros 60 ficaram feridos pelas forças militares de Israel.
No Líbano a marcha se concentrou na aldeia de Marun Al Raas ao sul do país. Os soldados israelenses começaram a atirar quando os manifestantes atiraram algumas pedras em direção à fronteira. Mesmo já percebendo que alguns ficavam feridos, os palestinos avançaram em direção à fronteira. 12 morreram e mais de 70 ficaram feridos.
Na Síria os refugiados palestinos participaram nos atos de repúdio à expulsão dos palestinos em 1948 (quando cerca de 800 mil palestinos fugiram deixando para trás suas casas nas aldeias milenares acossados por um terror que se espraiara da Galiléia a Jerusalém. Junto com seus descendentes os palestinos na diáspora formam uma população de mas de 4 milhões de refugiados que pleiteiam o retorno a sua terra natal).
No protesto, alguns ultrapassaram a barreira fronteiriça nas ocupadas colinas de Golã, território sírio ocupado por Israel desde a Guerra dos Seis Dias, em 1967. Na Síria, assim como os do Líbano e de Gaza foram recebidos à bala e morreram 8 e 50 ficaram feridos. O Ministério do Exterior da Síria conclamou a comunidade internacional a fazer Israel pagar pelos assassinatos.
Na Cisjordânia, território palestino ocupado onde hoje fica a sede da Autoridade Nacional Palestina, houve protestos em Ramallah, Belém e Jerusalém. O protesto em Ramallah se deu nas proximidades do posto militar israelense em Qalandya. Na repressão ao ato dezenas de palestinos ficaram feridos.
No Cairo, o ato solidário aos palestinos reuniu milhares na Praça da Revolução, a Praça Tahrir agitando bandeiras egípcias e palestinas. De lá centenas marcharam à embaixada de Israel.
Na Jordânia mais de 10 mil portaram bandeiras palestinas perto da aldeia fronteiriça de Karame (que em árabe quer dizer Dignidade e onde ocorreu o primeiro confronto vitorioso com tropas israelenses desde a derrota árabe na Guerra dos Seis Dias. A vitória palestina na batalha de Karame, comandada por Yasser Arafat, quando em maio de 1968 os israelenses retornaram derrotados de uma missão retaliatória, deu força definitiva à liderança de Arafat sobre o povo palestino.
Em diversos países houve atos pelo fim da ocupação de Israel e das atrocidades cometidas contra os palestinos. Os principais foram na Espanha, em Madri – diante da embaixada de Israel, França, Itália, Alemanha, Bélgica, Irlanda, Áustria, Bulgária, Holanda, Turquia, Tunísia, Austrália e nos Estados Unidos.
O assassinato em série de palestinos por parte de Israel prossegue ao mesmo tempo em que as forças da Otan despejam toneladas de bombas sobre Trípoli em apoio aos mercenários arrebanhados pela CIA para tentar derrubar o governo constituído e tomar posse do petróleo líbio.
Fonte: Jornal A Hora do Povo
Entrevista com Zelaya
Manuel Zelaya
Por Sílvia Alvarez
de Tegucigalpa (Honduras)
Brasil de Fato – Desde que voltou ao país, você fala na criação de um bloco político amplo, semelhante ao do Uruguai. Como se dará esse bloco e qual será a atuação da FNRP dentro desse novo campo político?
Manuel Zelaya – Bom, primeiro é somente uma ideia. Ainda não foi aprovada, temos que ir à assembleia, conseguir respaldo popular e depois aprovar. Eu vim em primeiro lugar tratar de resgatar minha própria identidade, depois de quase dois anos de golpe de Estado e de 17 meses de exílio. É um processo de transformação e de mudança ao qual vamos nos adaptando. Estamos voltando ao nosso ritmo de trabalho habitual. Tenho me dedicado por 30 anos à política... no exílio recebi muito amor da República Dominicana, mas o desterro sempre significa incerteza, uma tensão. Agora já estamos aqui, temos essa proposta (da criação da Frente Almpa) e dentro de 15 dias teremos uma assembleia e uma resposta da FNRP.
E em relação às eleições de 2013? A FNRP disse que irá se transformar em partido. Mas se esse bloco político amplo tem uma candidatura, sairá por qual partido?
A Frente Ampla é uma somatória de tendências, de correntes e de bandeiras. Se conforma como uma organização política, onde em seu seio há vários partidos políticos. Mas não necessariamente a institucionalidade dos partidos está, e sim sua militância.
O senhor tem se definido com um liberal pró-socialista. O que seria isso?
[Risos] É uma pergunta interessante. Principalmente os que lidam com o “ideológico” buscam uma definição... o que eu quero dizer com liberal pró-socialista? É uma política de transição. Nós queremos avançar a um processo pró-socialista respeitando muitos dos princípios de liberdade econômica, que são a base da diferença entre liberalismo e socialismo. Então, misturam-se ideias da visão e da responsabilidade social que têm o conceito de liberdade, mas se mantêm os princípios de liberdade econômica, onde o Estado tem poderes que lhe dá a lei, a constituição. Ou seja, são duas filosofias juntas nas partes em que coincidem: a busca do direito e da justiça para o bem comum e a liberdade a que todos nós aspiramos.
O senhor falou em liberdade econômica. Recentemente o governo de Porfírio Lobo Sosa fez um evento chamado Honduras is Open For Business que está no marco de uma política econômica de abertura para o investimento estrangeiro, inclusive com novas leis que fazem possível a construção das “cidades modelo”. O que acha desse tipo de política?
A liberdade econômica é um princípio básico para obter maior investimento nacional e estrangeiro. O que acontece é que quando se dão tantas liberdades ao capital, ele abusa e comete fraudes, como o que tem passado em Wall Street e em todas as operações financeiras que têm gerado especulação. Estou de acordo em buscar mecanismos de desenvolvimento mantendo princípios de liberdade, mas tem que colocar limites a esse conceito, se não se produzem abusos.
Agora, processos como o Honduras is open for Business não se definem como de liberdade econômica. Esses são processos de concessão. Aí não há liberdade econômica, o que há é uma proteção econômica aos que se estabelecem dentro desse processo.
Qual sua análise da situação de Honduras hoje, depois de quase dois anos do golpe?
Em Honduras há uma crise social há vários séculos, desde a época da conquista. O extermínio indígena que aconteceu aqui foi um fato pavoroso na história do país. Há uma crise econômica também por falta de capacidade produtiva e extrema pobreza. Quando cheguei ao governo (em 2005), 45% da população estava em extrema pobreza. Nós baixamos esse percentual em quase 19 pontos em dois anos, e conseguimos um crescimento de 7% sustentado em todo o meu governo. Então, há uma crise histórica e uma crise agravada depois do golpe de Estado militar. Hoje, estamos vivendo os aspectos específicos do agravamento dessa crise que se deu por uma interrupção da ordem democrática do país, a qual gerou terríveis conflitos dentro dos problemas que já estavam latentes em todo o conceito de governabilidade social.
Por causa dessa crise, ocorreram muitas mobilizações de rua nesses dois anos, principalmente as organizadas pela FNRP. Qual sua opinião sobre esse tipo de luta?
Ela sempre existiu. Existe algum lugar no mundo em que os operários não reclamem por melhores salários? Onde os camponeses não exijam o acesso à terra? São processos que nascem da necessidade e se resolvem de acordo com a capacidade de diálogo que tem o governo. O povo tem o direito a fazer greve, manifestações públicas. O que aconteceu é que o índice de conflito social aumentou. Depois do golpe aumentou 100%.
Uma das principais bandeiras da FNRP é a realização de uma Assembleia Nacional Constituinte. Como se dará esse processo?
A América Latina está conduzindo vários processos democráticos, pacíficos e revolucionários. É a América Latina que está dirigindo essa visão no mundo. Primeiro de descolonização frente às economias dominantes que são as do dólar e as do euro. Um dos países que estão dirigindo isso é o Brasil. No governo de Lula e agora com a continuidade de Dilma, assim entendo, se abriram as fronteiras para Ásia, para o Leste Europeu e para a África, Índia, China – e o mesmo estão fazendo as outras economias da América do Sul. E tratando de sair da hegemonia do dólar e do euro.
O segundo processo que se está impulsionando na América Latina é o empoderamento dos direitos da população. O povo está conhecendo mais em que consistem seus direitos democráticos. Considero uma das ações mais importantes do século 21 e do final do século 20. “Empowering men” dizem os americanos. Empoderando-se os seres humanos deles mesmos.
O terceiro conceito que também se está promovendo de forma pacífica é a soberania popular. O fato de que o povo tem a capacidade de conduzir-se através de processos de consulta, referendo, é parte dessa revolução democrática pacífica que está liderando a América Latina. Criou-se a União das Nações Sul-Americanas (Unasul), por exemplo, estão criando a Comunidade de Estados Latinoamericanos e Caribenhos (Celac). Estamos em um verdadeiro processo de independência e de descolonização. A Assembleia Nacional Constituinte que se dará em Honduras está nesse mesmo conceito de soberania, ampliação democrática e de descolonização.
Os Estados Unidos anunciaram recentemente a intenção de construir outra base militar em Honduras. Sabemos que a base militar de Palmerola teve função importante no golpe de Estado, inclusive foi pra lá que o senhor foi levado quando sofreu o golpe. Que papel os EUA seguem tendo no atual governo de Honduras?
Honduras é um país sob intervenção comercial, econômica, militar e cultural dos Estados Unidos. E esse controle férreo sobre todos os passos de Honduras não deu todos os resultados de benefícios e desenvolvimento que nós queremos. Honduras é a terceira economia mais pobre do continente americano. Eu não vou culpar a outro país pelos problemas de Honduras. Mas sim, temos o direito no nosso país de buscar maior independência. Os responsáveis pela direção de Honduras são os da sua classe governante. A burguesia hondurenha é extremamente débil frente ao capital estrangeiro, o capital de Washington. Então, se submetem a condições onerosas, as quais não lhe permitem criar as bases para um desenvolvimento equitativo de Honduras.
Na última assembleia da OEA, na qual Honduras já estava inserida, tratou-se do tema da violência e do narcotráfico. Sabemos que Honduras está na rota do fluxo de droga proveniente da Colômbia rumo à América do Norte. Na sua opinião, quais são os interesses envolvidos nessa questão?
Veja, América Central e México estão em um corredor, onde a droga que se produz no sul se consome no norte. E todo o nosso povo, nossos governos, são vítimas desse negócio ilícito, que é o tráfico. Organizam máfias, grupos de terror, criam destruição e morte por onde vão passando. Isso não vai se resolver enquanto não se faça um acordo entre Estados Unidos e América do Sul, América Central e México. Esse não é um problema local. Tem que ter um acordo internacional.
Ainda no tema da violência. Na região do Baixo Aguan, ao norte de Honduras, aconteceram 31 assassinatos de camponeses nos últimos 15 meses. Quais as origens dessa violência e do conflito por terras nessa região?
Eu, por minha natureza ideológica, sou contra as penas difamantes, como a pena de morte. E defendo, pela minha religião cristã, o direito à vida. Todos os atos de violência, para mim, são contrários à civilização. Nós condenamos os assassinatos no Baixo Aguan, assim como os massacres que ocorreram em San Pedro Sula e os assassinatos de pessoas da Frente Nacional de Resistência Popular. Sempre levamos denúncias aos organismos de direitos humanos e internacionais. Vamos seguir nessa luta pela paz para que em Honduras cessem os assassinatos, crimes e violência. E também que, especialmente esse tipo de crime, o político, não aconteça mais em nosso país. E que não tenham perdão, nem anistia.
E os conflitos pela terra, quais são as origens?
Eu conheço muito bem o processo que se degenerou até chegar a esse nível de violência em Baixo Aguan. Eu governei esse país numa época em que se deram processos de recuperação de terra. Fui firmar acordos com organizações campesinas para buscar solução. Considero que esses conflitos – que se dão pelo direito à propriedade – devem resolver-se o mais rápido possível. E devem resolver-se com base na justiça e na equidade. Tantos direitos têm os homens sem terra, por exemplo, o direito de buscar a vida que perderam nesse conflito.
O senhor saudou o retorno de Honduras à OEA, ao mesmo tempo a maior parte da resistência é contrária a esse retorno. Porque essas opiniões discordantes?
Tem que respeitar as opiniões diferentes e os critérios deles. Têm razão em reclamar a defesa dos seus direitos. O que acontece é que pensar que a OEA vai vir fazer a justiça em Honduras... a justiça temos que fazer nós, hondurenhos, e fazê-la nas urnas, como democratas. Estou falando politicamente. Em relação aos direitos humanos, os assassinatos e crimes, estes não são anistiáveis. Temos que buscar nossa própria legalidade. Que tenhamos o governo que o povo merece. Não esperemos que venham organismos internacionais a fazer por nós o que nós temos a responsabilidade de fazer.
A OEA fez muitas ações em defesa da democracia hondurenha. Suspendeu Honduras [logo depois do golpe, em 2009] e realmente defendeu Honduras nos momentos mais críticos da ditadura. Agora estamos em outra etapa. O governo firmou um acordo de reconciliação, que é uma reconciliação política e, desse ponto de vista, abriu as portas de Honduras para a legitimidade internacional. Mas, ainda falta muito na questão dos direitos humanos, sociais e econômicos.
Como está sua agenda desde que chegou a Honduras?
Desde que cheguei aqui estou em atividade. Não tenho feito mais do que lutar por direitos políticos do povo hondurenho e a isso estou dedicado. Propus uma Frente Ampla, acredito que esse é o caminho para aglutinar força política frente às forças mais conservadoras do país.
O Brasil cumpriu um papel importante na época do golpe, inclusive colocando a embaixada brasileira à sua disposição. Quais são suas expectativas com o governo de Dilma?
Sei que ela tem continuado a política de distribuição econômica do governo Lula e isso é muito bom. Estou muito agradecido ao Brasil, com o apoio que nos deu. Não seria possível meu retorno sem o apoio do Brasil.
Fonte: Jornal Brasil de Fato
Humala Ollanta nunca foi de esquerda

É muito provável que os indígenas e os pobres que votaram massivamente em Humala lhe exijam soluções para as suas reivindicações económicas, sociais, ambientais e democráticas, e entrem em conflito com um governo que nem quer nem pode enfrentar a direita.
Por Guillermo Almeyra, La Jornada
Ollanta Humala nunca foi um homem de esquerda. É antes um militar nacionalista e indigenista moderado, com ideias etnocaceristas confusas. Se obteve o apoio do intelectual de direita Mario Vargas Llosa e do ex-presidente indígena Alejandro Toledo não foi tanto pelo abandono de boa parte do seu programa inicial, mais radical porque defendia a ideia de uma assembleia constituinte e a possibilidade de algumas nacionalizações e modificações do sistema tributário, mas pela maleabilidade do candidato, que demonstrou ser sensível às pressões de centro-direita.
A importância do seu triunfo eleitoral não reside tanto na sua audácia e nas suas posições, mas em ter evitado que o Peru caísse novamente nas mãos da direita repressiva, corrupta e ditatorial que tinha apoiado Alan García e Alberto Fujimori e que, de uma forma compacta, votou desta vez em Keiko Fujimori, que se rodeou dos piores elementos que tinham secundado a ditadura do seu pai.
As eleições confrontaram meio Peru com a outra metade. Em Humala votaram os indígenas da serra e do sul, os amazónicos e os trabalhadores pobres da costa norte, além dos intelectuais, assustados com o perigo de uma nova ditadura fujimorista; em Keiko Fujimori fizeram-no os pobres mais atrasados das cidades, a maior parte das classes médias urbanas, conservadoras e racistas, e as direitas unidas, apoiadas e incentivadas pela embaixada dos Estados Unidos. Os votos em Humala reivindicam terra, direitos, respeito e dignidade e opõem-se à destruição do seu território pelas grandes explorações mineiras estrangeiras, eixo do grande capital no Peru. Os votos em Fujimori que realmente contam, os da direita empresarial ou financeira, querem evitar que os sectores populares se organizem, se mobilizem e conquistem espaços de poder. Daí que a reacção imediata da Bolsa de Lima, ao conhecer-se a vitória de Humala, tenha sido uma queda catastrófica dos títulos que obrigou a fechá-la. Ou seja, um semigolpe financeiro.
Os efeitos do triunfo de Humala serão maiores no campo internacional que a nível interno, porque a presidência de Humala reforça Rafael Correa, no Equador, e Evo Morales, na Bolívia, e porque Humala procurará certamente acordos económicos e políticos estreitos com o Brasil, fortalecendo assim a influência brasileira – conservadora – face aos Estados Unidos e a construção de um cordão sino-brasileiro que una a costa atlântica com a do Pacífico. Além disso, quebrou-se o anel central da cadeia que unia a Colômbia, o Peru e o Chile na retaguarda de Washington, cadeia que garantia ao imperialismo o controlo da costa do Pacífico na América do Sul.
No plano nacional, pelo contrário, é muito provável que os indígenas e os pobres que votaram massivamente em Humala lhe exijam soluções para as suas reivindicações económicas, sociais, ambientais e democráticas, e entrem em conflito com um governo que nem quer nem pode enfrentar a direita, apoiada pelo imperialismo, ou as grandes explorações mineiras estrangeiras. Humala, como bom militar e prisioneiro dos seus aliados, procurará certamente recorrer a subterfúgios e acabará por recorrer à repressão. Perante a impossibilidade da vitória das guerrilhas e da revolução, o general nacionalista Velasco Alvarado fez uma revolução passiva (para aplicar os conceitos de Gramsci), decapitou o latifúndio e eliminou a servidão para tentar modernizar de forma capitalista o Peru rural. Humala, no entanto, não detém as condições necessárias para tentar, sequer, repetir o velasquismo, uma vez que a burguesia não está preocupada com a rebelião indígena, não há uma esquerda importante no Peru, e não conta com a adesão da maior parte das chefias das forças armadas. O seu progressismo tem, por isso, grandes entraves, a não ser que os aimaras de Puno e os quechuas das restantes serras peruanas, influenciados pelo exemplo boliviano, ultrapassem os limites que o neopresidente tratará de impor. Sobretudo porque, para pressionar o Chile e obter uma saída para o mar, na Bolívia espalhar-se-á a ideia de reforçar os laços com o Peru para reviver em parte, e em novas condições de confronto com o imperialismo norte-americano e com a oligarquia do Chile, a efémera Confederação peruano-boliviana que foi derrotada pela aliança entre o imperialismo britânico e a oligarquia chilena. O general Cáceres, o Taita, herói dos Andes, como se deve recordar, acabou por reprimir os próprios indígenas em que se tinha apoiado para derrotar os chilenos na sua guerra de guerrilhas. Antes mesmo de chegar ao palácio de Pizarro, o cacerista Humala já decidiu limitar-se à política que fracassou no governo do indígena Toledo, antigo funcionário das instituições internacionais imperialistas, acrescentando apenas a promessa de fazer com que as empresas mineiras paguem um imposto sobre os lucros extraordinários, coisa que elas se recusarão a fazer. As opções são, por conseguinte, a preparação de um golpe anti-Humala ou a incorporação pacífica do novo governo através de uma série de pressões económicas. No campo contrário, a criação, a partir do apoio conseguido por Ollanta Humala, de uma esquerda peruana que aprofunde e radicalize o processo actualmente incipiente. Mas isso exigiria um intervalo de tempo relativamente longo e confuso, uma vez que não existe o núcleo da tal esquerda anticapitalista, nem nenhuma outra força relativamente importante equaciona as bases programáticas para uma luta como essa. O mais previsível, por isso, é uma enorme instabilidade política e social no Peru, com um governo nacionalista a dançar na corda bamba.
Publicado no La Jornada
Tradução de Helena Pitta para o Esquerda.net
Fonte: www.esquerda.net
TCHAU PV!

Marina Silva candidata a presidência do Brasil
Revista Época
Marina Silva, a mulher de saúde frágil que aprendeu a ler aos 16 anos e quase virou freira, sonha em ser presidente do Brasil. Em nome da utopia, Marina fez uma escolha pragmática. Convidada a ser candidata à Presidência, aceitou filiar-se ao Partido Verde, o PV, uma pequena legenda identificada não apenas com a agenda ambientalista – mas também com propostas liberais, como a legalização da maconha e do aborto. Marina, que se convertera à religião evangélica em 1997, ignorou as latentes tensões entre suas convicções religiosas e as posições liberais da plataforma verde. Apesar do bom desempenho na campanha presidencial do ano passado, não deu certo. Dois anos e 19,5 milhões de votos depois, Marina decidiu: deixará o PV. O anúncio ocorrerá nesta semana.
A união entre Marina e o PV começou com promessas e terminou em desilusões. Desilusões produzidas, sobretudo, ao sabor das inevitáveis divergências de uma campanha eleitoral. Marina e o PV, especialmente por meio de seu presidente, José Luiz Penna, discordaram em quase tudo nas eleições. Aos poucos, sua campanha separou-se da estrutura do partido. Os problemas começaram na arrecadação de dinheiro. O vice da chapa, o empresário e fundador da Natura, Guilherme Leal, centralizou os trabalhos de coleta de recursos. Os tradicionais arrecadadores do PV se incomodaram com a resistência de Leal aos métodos tradicionais – e heterodoxos – de financiamento de campanhas no Brasil, do qual o partido nunca foi exceção. Um dos dirigentes do PV conta como anedota o dia em que Marina mandou devolver uma mala de dinheiro “não contabilizado”, em linguajar delubiano, ao empresário paulista que o havia enviado.
O segundo ponto de atrito entre Marina e o PV deu-se em razão da entrada de líderes evangélicos na organização política da campanha. Pastores da Assembleia de Deus, igreja de Marina, influenciavam decisivamente na elaboração da agenda da candidata. A força deles no comando da campanha não casava com o perfil histórico do PV. Se em sua plataforma e em seu discurso o PV era favorável à legalização da maconha, do aborto e do casamento gay, era uma clara incoerência que sua candidata à Presidência se colocasse contra essas posições. O PV temia perder o eleitorado urbano, moderno, descolado. As lideranças evangélicas argumentavam que isso não seria um problema e prometiam trazer 40 milhões de votos para a candidata, caso a campanha se voltasse aos eleitores evangélicos.
O terceiro motivo para o desgaste entre Marina e o PV foi político. Apesar de ter rompido com o PT, Marina mantém uma relação ambígua com o ex-presidente Lula. Suas recusas em criticar Lula publicamente durante a campanha provocaram estremecimentos entre a candidata e Guilherme Leal. Leal é simpático ao PSDB e doou dinheiro para a campanha do tucano Geraldo Alckmin à Presidência, em 2006. Por outro lado, Marina contrariou aliados ex-petistas quando decidiu não usar uma campanha em vídeo preparado por seu marqueteiro cujo slogan era “Marina, a verdadeira sucessora de Lula”. “A campanha era maravilhosa, impactante, contava a trajetória de vida dos dois, a proximidade deles”, diz um aliado. Marina mantém sua decisão: “Acho pretensioso, poderia parecer pretensioso (o vídeo). Eu tenho muita consciência do meu tamanho”.
A guerra virtual começou
Tais versos, traduzidos do inglês, são a letra da música tema de um antigo seriado americano, O barco do amor, um símbolo das comédias românticas dos anos 1970 e 1980. A série arrancava risadas, e até suspiros, com os amores ingênuos e trapalhadas num cruzeiro. A música foi agora adotada como hino por passageiros de outra embarcação: um grupo internacional de hackers que promove ataques piratas a empresas e governos nos oceanos digitais da internet e é conhecido pela alcunha LulzSec.
Em seu site, o grupo trocou a palavra “love” (amor) por “Lulz” na letra da balada. Lulz é uma variante da sigla LOL, ou “laughing out loud”, algo como “rindo bem alto” na gíria da internet. Mas as ações do LulzSec não têm graça nenhuma. Na semana passada, um ramo brasileiro do grupo realizou o maior ataque à internet do país.
Os hackers tiraram do ar o Portal Brasil e vários sites oficiais: da Presidência, do Senado e dos ministérios do Esporte e da Cultura. Também tentaram derrubar o site da Receita Federal e de empresas privadas, mas apenas causaram lentidão. Nos ataques, sobrecarregaram os computadores com vários acessos simultâneos, tirando o o serviço do ar. Em alguns casos, porém, invadiram computadores e conseguiram alterar o conteúdo das páginas. Na madrugada da sexta-feira, outro grupo, intitulado Fail Shell, deixou uma mensagem de protesto no site do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
Os hackers também divulgaram informações pessoais que atribuíram a figuras públicas, como a presidente Dilma Rousseff e o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, além de pretensos dados com gastos de outros políticos (parte das informações é falsa ou pública). Do site do Ministério do Esporte, o LulzSec afirma ter retirado dados de funcionários (o ministério nega). Na sexta-feira, os hackers divulgaram dados pessoais e bancários de funcionários da Petrobras, que teriam sido capturados do site da estatal. A Infraero disse que tirou o próprio site do ar, para evitar o furto de informações sobre voos. A Polícia Federal diz que vai investigar e que os responsáveis podem pegar até cinco anos de prisão.
O inferno astral de Sérgio Cabral
O governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral Filho, do PMDB, vivia uma espécie de lua de mel com a população fluminense. Em 2010, ele foi reeleito no primeiro turno com 66% dos votos válidos, o que lhe garantiu o título de terceiro governador mais bem votado do país. Obteve esse resultado no embalo do sucesso das UPPs, as Unidades de Polícia Pacificadora, da queda geral da violência no Rio, da atração de investimentos públicos e privados para o Estado e das conquistas da Olimpíada de 2016 e da Copa de 2014, que terá sua final no Maracanã. Cabral desfrutava o prestígio que todo político gostaria de ter.
Nas três últimas semanas, sua maré virou. No campo político, Cabral combateu uma greve de bombeiros que colocou boa parte da população contra ele. O governador classificou como “vândalos irresponsáveis” soldados que ganham salário inicial de R$ 950 numa cidade que todos os anos enfrenta enchentes e deslizamentos. No campo administrativo, Cabral sofreu desgaste com um inédito apagão que parou o Metrô do Rio. No campo pessoal, enfrenta uma crise com a mulher, que teria pedido a separação, e o luto pela morte de sete pessoas num acidente de helicóptero no sul da Bahia, entre elas a namorada do filho. E, no campo ético, tem sido obrigado a explicar suas ligações pessoais com empresários que têm interesses e contratos com o Estado. A tragédia do helicóptero revelou a relação próxima do governador com os empresários Fernando Cavendish, dono da Delta Construções, empresa que embolsou quase R$ 1 bilhão em obras durante seu governo, 25% desse total sem passar por licitação, e Eike Batista, dono da maior fortuna pessoal do país.
Istoé
O mapa da barganha
Sobre a mesa da ministra de Relações Institucionais, Ideli Salvatti, ocupa lugar de destaque uma lista com 184 indicações para cargos de segundo escalão do governo. Esse é o loteamento exigido pelas legendas governistas, que querem ver as nomeações publicadas no “Diário Oficial” o mais breve possível. Além da acomodação em postos estratégicos, a fatura cobrada pelos parlamentares inclui o empenho de R$ 3 bilhões em emendas do Orçamento de 2011 e a liberação de R$ 1 bilhão de anos anteriores. Do contrário, ameaçam endurecer o jogo para o governo no Congresso. As declarações da ministra Ideli, na terça-feira 21, de que haverá “frustrações” nos partidos no processo de preenchimento de vagas foram pessimamente recebidas pelas lideranças na Câmara e no Senado. Os cargos e as emendas representam o capital eleitoral dos deputados junto a prefeitos e vereadores às vésperas das eleições municipais. Daí a pressa. Os aliados insistem que, se não forem atendidos, matérias de interesse do governo, como os destaques apresentados à Medida Provisória que trata das regras especiais de licitação para a Copa, não tramitarão no Legislativo ao sabor das conveniências do Palácio do Planalto. “O PMDB não vai abrir mão do direito de indicar”, afirma o líder na Câmara, Henrique Eduardo Alves (RN).
Brasil sob ataque de hackers
O Brasil sofreu o maior ataque de hackers de sua história no início da madrugada da quarta-feira 22, quando os sites da Presidência da República, da Receita Federal e o Portal Brasil ficaram fora do ar por uma hora. O portal da Petrobras também foi invadido. Entre a meia-noite e meia e as três horas da manhã, houve mais de dois bilhões de acessos. A pirataria virtual foi assumida pelo grupo Lulz Security Brazil, uma ramificação do Lulz Security (LulzSec), que justificou a ação como um protesto contra a corrupção no País. O Serviço Federal de Processamento de Dados (Serpro) retirou os sites de operação por medida de segurança. Na versão oficial, dados sigilosos do governo não foram acessados, mas os autores do ataque divulgaram pelo Twitter informações pessoais da presidente Dilma Rousseff e do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab.
Na manhã da quinta-feira 23, o ataque se ampliou. Outro grupo entrou em ação: o Fatal Error Crew anunciou ter derrubado 500 sites de prefeituras e Câmaras municipais no interior do País. Como prova, divulgou os endereços das páginas que deixou fora do ar. No caso dos ataques ao governo federal, os sites ficaram inoperantes pelo acúmulo de mensagens, segundo o diretor-superintendente do Serpro, Gilberto Paganotto. “Não houve invasão. O que eles conseguiram foi deixar os sites não operantes por determinado período”, disse. O ataque partiu de provedores da Itália, mas não significa que os hackers vivem lá. Foram utilizados robôs – programas implantados em computadores à revelia dos seus usuários. A Polícia Federal vai abrir inquérito para investigar a ação, mas será difícil encontrar uma forma de punir os responsáveis, já que os crimes virtuais não estão tipificados na legislação brasileira. Há apenas um projeto de lei que aguarda votação na Câmara dos Deputados.
fonte: Congresso em Foco.
Justiça tem recursos demais, diz procurador

À esquerda Rogério Schietti
Para o ex-procurador geral de Justiça do Distrito Federal Rogério Schietti, a Constituição de 1988, ao querer dar uma resposta aos anos de chumbo da ditadura militar, acabou fazendo concessões demais, que levam a situações de impunidade, como o caso do jornalista Pimenta Neves.
Eduardo Militão
O ex-procurador-geral de Justiça do Distrito Federal Rogério Schietti não tem dúvidas. A Constituição de 1988 é uma resposta aos anos de grosso chumbo da ditadura, mas exagerou e fez concessões demais às liberdades individuais. Como resultado, aumentou a impunidade no país. O exemplo é o caso do jornalista Pimenta Neves, assassino confesso da namorada, Sandra Gomide, mas que levou 11 anos para ir à cadeia depois da demorada análise de cada um dos muitos recursos que seus advogados levaram ao Judiciário.
Schietti defende uma mudança na Constituição. "Estamos nos petrificando em não fazer mudanças num texto feito após um período de repressão", afirmou ele ao Congresso em Foco. "Hoje, a balança pende só para o indivíduo. É natural, pois a história é feita de pêndulos, mas temos que buscar o caminho do meio", avalia o procurador, doutor em direito processual penal e que nesta semana lançou o livro Justiça Criminal, uma explicação simples, um guia para leigos, com fotos, design moderno e linguagem acessível.
Hoje, a Constituição garante presunção de inocência ao réu até que se esgotem todos os recursos possíveis, mesmos que o acusado já tenha sido condenado três vezes por magistrados diferentes, por exemplo. Schietti defende que a presunção da inocência seja garantida só até que seja demonstrada a culpa do acusado. Ou seja, se o réu for condenado em segunda instância, já estará demonstrada sua culpa, e ele deve ser preso.
Se os advogados quiserem recorrer aos tribunais superiores (Superior Tribunal de Justiça e Supremo Tribunal Federal), tudo bem, mas o cliente continuará preso até haver uma nova resposta do Judiciário. Schietti lembra que no STJ e no STF só devem ser discutidas questões técnicas de direito, como o tamanho da pena.
O procurador vê com simpatia a PEC do presidente do Supremo, Cézar Peluso, que propõe limites para os recursos protelatórios.
Dúvidas de todos
No livro que organizou, Justiça criminal: uma explicação simples, o procurador dedica um capítulo às causas da impunidade. Noutros, fala de prisão, diferença entre inquérito e processo, pequenas causas, recursos... "São aquelas dúvidas que todo mundo tem, os estudantes, jornalistas e aquelas pessoas do nosso convívio que ouvem uma notícia e não têm suas dúvidas respondidas", esclarece Schietti.
Em forma de guia, cheio de fotos, o livro serve para tirar uma dúvida em um capítulo específico ou para ser lido integralmente. “É uma proposta de cidadania, não vamos ganhar direitos autorais e alguns exemplares serão doados”, explica Schietti.
Dinheiro para políticas públicas
Autor de um dos artigos do livro de Schietti, o promotor de Justiça Antonio Suxberger também acaba de lançar Teoria crítica dos direitos humanos: das lutas aos direitos. Um dos organizadores da coletânea de artigos, ele avisa que se trata de uma obra de direito tradicional. Os textos abordam temas como trabalho de aprendizes, direito internacional e políticas públicas.
Suxberger destaca um dos artigos que critica o excesso do argumento da falta de dinheiro para se executar amplamente as políticas públicas fundamentais, como educação e saúde. “Há uma banalização disso”, afirma o promotor ao Congresso em Foco.
O livro se guia pelo pensamento crítico do professor Joaquín Herrera Flores, falecido em 2009 e ex-diretor do doutorado em direitos humanos da Universidade Pablo de Olavide, em Sevilha, na Espanha. “É uma homenagem a ele”, conta Suxberger, que se formou na instituição espanhola.
Serviço
—Justiça criminal: uma explicação simples
Rogério Schietti (org.),
Lumen Juris, 148 páginas, R$ 32
—Teoria crítica dos direitos humanos: das lutas aos direitos
Antonio Suxberger, Ruben Manente e Jefferson Dias (orgs.)
Lumen Juris, 284 páginas, R$ 56
Fonte: Congresso em Foco
CrowdFunding - Financiamento coletivo

LCD Sound Sytsem se apresentou no Rio de Janeiro através do "crowdfunding"
"Nos falaram que esse show aconteceu a partir da vontade de pessoas querendo nos ver.Que colocaram seu próprio dinheiro para que pudéssemos vir aqui tocar. Normalmente agradecemos às pessoas por virem nos ver tocar.Isso é muito especial para nós. Nós não sabíamos disso. Muito obrigado do fundo de nossos corações.
É a primeira vez na minha vida, que toquei num evento realizado através do "crowfunding". James Murphy, líder do Lcd Soundsystem, durante show realizado no Rio de Janeiro no mês de fevereiro desse ano.
O "crowdfunding" é uma modadalidade de financiamento coletivo, onde o patrocinador é o consumidor.
O poder das redes sociais está igualando o poder monetário de grandes empresários ao de pequenos ou grandes grupos reunidos atravéz da internet.
Que venham muito mais bandas.
Fonte: Mundo S/A - GloboNews
sexta-feira, 24 de junho de 2011
Combate a corrupção.

A Amarribo Brasil é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), sem fins lucrativos, que combate a corrupção, atua na promoção da cultura da probidade e na fiscalização de gastos públicos, na organização, educação e mobilização da sociedade civil e na defesa dos seus direitos constitucionais.
Fonte: www.amarribo.org.br
WIKILEAKS DA HISTÓRIA DO BRASIL

O site Pública, parceira do Wikileaks no Brasil, irá publicar no próximo dia 27 de junho documentos confidenciais de interesse nacional. Documentos estes ainda não publicados no Brasil.
Natália Viana não deu muito ouvido ao senador José Ribamar de Araújo Costa, conhecido também pelo nome artistíco José Sarney.
O senador pelo Amapá, José Sarney, que teremos que aguentar até 2015, disse que não se pode fazer Wikileaks com a história do Brasil.
Parece que o site wwww.apublica.org/ irá fazer sim um Wikileaks do Brasil.
Estaremos ansiosos pela divulgação do material.
PRIMEIRA MULHER CONDENADA POR GENOCÍDIO

Filme Hotel Ruanda
Uma antiga ministra ruandesa foi condenada hoje a prisão perpétua pelos crimes de genocídio e incitamento à violação, na perseguição brutal e massacre de mulheres e raparigas durante a convulsão de 1994 no país que causou a morte de mais de 800 mil pessoas da etnia tutsi e hutus moderados.
Fonte:www.publico.pt
SERÁ POLÍTICO?

Sites do governo Dilma sofre o maior ataque de Hackers da história do Brasil.
Ultimamente uma onda de invasão em sites de governos mundo a fora tem sido frenquentes.
Como se proteger nesse mundo da internet onde o hacker é mais rápido que as seguranças que são criadas?
quinta-feira, 23 de junho de 2011
Copa Flexível e Olimpíada Heterodoxa

Chico Alencar
Deputado Federal, PSOL/RJ
Surgiu aqui uma poderosa líder de bancada multipartidária, a “deputada FIFA”.
Sua força é tanta que, junto com o “deputado COI”, ela conseguiu aprovar uma Copa flexível e uma Olimpíada heterodoxa.
Para esses megaeventos haverá o “Regime Diferenciado de Contratações Públicas”, facilitador das licitações.
Veja o quadro comparativo sobre como é uma licitação hoje (Lei 8.666) e como devem ficar as licitações da Copa e Jogos Olímpicos (RDC), se o aprovado – contra o nosso voto – na Câmara, na MP 527, for confirmado no Senado:
fonte: http://www.chicoalencar.com.br/_portal/docs/pronunciamento22062011.pdf
quarta-feira, 22 de junho de 2011
1º Encontro Internacional de Blogueiros

O 1º encontro internacional de blogueiros previsto para o mês de setembro de 2011, conta com a presença de Julian Assange, o "hacker" mais conhecido do mundo.
Se for confirmado a presença do criador do Wikleaks no 1º encontro internacional dos blogueiros, será um convidado tão importante como foi Lula no 2º BlogProg.
Os eventos organizados com a finalidade de reunir blogueiros de várias partes do mundo, cada vez mais ganha uma força descomunal.
O monopólio da informação está chegando ao seu fim.
A informação quer ser livre.
Postado por 3vozes
NOTÍCIAS DE PENTECOSTE, CEARÁ

Zé das Legnas foi mais uma dessas figuras que tivemos o privilégio de conhecer.
Talvez, junto com o Rumba Gabriel, foi um dos blogueiros mais ativista que conhecemos no 2º encontro nacional dos blogueiros progressistas.
Zé das Legnas nos contou muitas histórias que acontecem na cidade de Pentecoste, estado do Ceará.
Pentecoste é mais uma dessas cidades onde a força do poder é usada para oprimir o povo.
Essa opressão está sendo freiada pelo movimento popular liderada pelo grande lutador e blogueiro Zé das Legnas.
A história está mudando, e pra melhor.
terça-feira, 21 de junho de 2011
AGÊNCIA DE NOTÍCIAS DAS FAVELAS

Dia 18 de julho de 2011 tivemos o privilégio de conhecer Rumba Gabriel, um dos colaboradores da Agência de Notícias das Favelas.
Rumba é daquelas pessoas que estão fazendo a diferença nesse mundo onde a injustiça insiste em predominar com toda sua força.
Vale a pena fazer uma pesquisa sobre Rumba Gabriel.
Rumba, um Grande Líder.
"UM MUNDO MELHOR É POSSÍVEL!" Agência de Notícias das Favelas
segunda-feira, 20 de junho de 2011
G8 se reuniu para tratar de partilha do "mundo árabe"

Por Hugo R C Souza
Os chefes das maiores potências capitalistas mais os dirigentes da Rússia de pretensões imperialistas reuniram-se durante dois dias no final de maio para acertar os detalhes da grande e nova rodada de rapinas nos países do Norte do África e do Oriente Médio que foram varridos por protestos por uma democracia popular, mas que, por falta de uma vanguarda revolucionária ou ao menos de lideranças mais consequentes, tiveram suas velhas estruturas do capitalismo burocrático apenas rearrumadas entre os grupos de poder reacionários, garantindo novos pactos com o imperialismo. Os gerentes "interinos" da Tunísia e do Egito estiveram presentes para participar dos arranjos. Desta forma, os chefes do G8 adiantaram em seu convescote o tamanho do comprometimento com o FMI e o Banco Mundial que será imposto às "democracias florescentes do mundo árabe" em um primeiro momento: US$ 20 bilhões, sendo que a Tunísia e o Egito já "aceitaram" empréstimos da ordem de US$ 3,5 bilhões no total, a título de "ajuda".
Ao mesmo tempo, as potências parecem querer resolver de uma vez a situação na Líbia para moverem suas tropas de lugar. Em comunicado, o G8 defendeu "uma ação do Conselho de Segurança das Nações Unidas" contra a Síria, se a "repressão for mantida no país". Diante do impasse no confronto de forças entre "os rebeldes" líbios financiados e assessorados pelo imperialismo e o exército de Khadafi, as potências já acenam com uma saída honrosa e vantajosa para o "ditador". Um generoso Nicolas Sarkozy, anfitrião da reunião do G8, disse que "há várias opções em jogo" para Khadafi deixar o poder.
Ao mesmo tempo, o USA e as potências imperialistas da Europa tentam convencer a Rússia sob o comando de Putin e Medvedev a entrar entrar na partilha das riquezas que será promovida no balcão de negócios da ONU, em vez de Moscou negociar diretamente com Khadafi. Sarkozy agradeceu publicamente à Rússia por não ter bloqueado a intervenção na Líbia no âmbito do Conselho de Segurança das Nações Unidas e, depois, os russos comunicaram que receberam pedidos da França e do USA para "mediar uma solução para o conflito líbio".
Na quinta-feira, dia 26 de maio, surgiu a informação de que a Espanha recebeu uma mensagem do governo da Líbia pedindo que as autoridades ainda de pé de Trípoli e o governo de Madri "cheguem num acordo possibilitando um cessar-fogo". A informação foi divulgada pelo porta-voz da presidência espanhola.
Khadafi acena outra vez para as potências
A Espanha não integra o G8, mas integra as forças reunidas do imperialismo europeu que ora bombardeiam a Líbia a pretexto de proteger o povo, mas verdadeiramente para assegurar a partilha das jazidas de petróleo entre as transnacionais de bandeiras coincidentes com as da Otan. O porta-voz da presidência espanhola disse que a mensagem foi escrita pelo primeiro-ministro líbio, Baghdadi Mahmoudi.
No mesmo dia do pronunciamento do governo espanhol sobre o recebimento da suposta mensagem oriunda da administração Khadafi, o jornal britânico The Independent chegou às bancas com a informação de a Líbia estava prestes a enviar uma carta aos "dirigentes internacionais" propondo um cessar-fogo. O jornal The Independent afirmou ter tomado conhecimento do conteúdo da carta e chegou mesmo a publicar trechos da mensagem. Um desses trechos da carta supostamente escrita em nome da administração Khadafi diz:
— A futura Líbia será completamente diferente daquela que existia há três meses. Este sempre foi o nosso projeto, mas agora temos que acelerá- lo. Para isso, devemos pôr fim aos combates, iniciar os diálogos, os entendimentos a respeito de uma nova constituição e criar um sistema de Governo que reflita a realidade da nossa sociedade e que esteja de acordo com as exigências de um regime moderno.
Ainda segundo o The Independent, uma fonte do governo britânico teria garantido que as potências capitalistas estariam dispostas a aceitar uma eventual partida de Khadafi para o exílio como solução para o impasse na Líbia. O secretário- -geral da ONU, Ban Ki-moon, já se manifestou nesse sentido, pedindo um "verdadeiro cessar-fogo" e "negociações sérias" para a "transição política" na Líbia.
O desenrolar dos fatos é uma lição para os ingênuos que acreditam que a Líbia de Khadafi é um Estado popular, uma trincheira anti-imperialista. A velha raposa líbia está negociando a melhor saída para si, e não para o povo do seu país. Esse, o povo, vê agora seus justos levantes contra o reacionário Khadafi resultarem, provavelmente, em um acordo bom apenas para seus inimigos. Todos eles: as potências, os monopólios e o chefe da administração antipovo do país.
Fonte: Jornal A Nova Democracia
